"No moinho"

24.03.09

 Com uma breve pesquisa descobri isto na web sobre " No moinho" de Eça de Queiros.

 Decidi fazer esta pesquisa com a finalidade de ajudar os meus colegas e a mim mesmo a compreender melhor esta obra que iremos analizar.

 

No moinho (Conto), de Eça de Queirós
Com enredo muito parecido com o de O primo Basílio, em uma linha acentuadamente naturalista, o conto No Moinho tem um problema relativo à construção da protagonista. A falta de coerência marca a trajetória que vai da “senhora modelo”, que vive para cuidar do marido inválido e dos filhos doentes, à mulher promíscua, que pensa em apressar a morte do marido e deixa os filhos sujos e sem comida até tarde. Toda esta transformação de caráter provocada pelo simples beijo de um primo.

Apesar da variedade temática, pode-se perceber no conto de Eça uma grande preocupação com as dores humanas. Seus personagens são em geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre atormentados.

Neste conto como em outros, os eventos surgem no discurso narrativo seguindo a sua ordem cronológica.

Os eventos são relatados linearmente, delineando três situações diferentes para a personagem protagonista:

— a da enfermeira zelosa;
— aquela em que conhece e se apaixona por Adrião;
— aquela em que se entrega a leituras românticas desencadeadoras de imaginários falsos e perniciosos.

O final adúltero é a consequência lógica e determinística deste percurso. O elemento desencadeador da ação é Adrião, cuja chegada vem alterar o decorrer monótono, mas pacífico, da vida de D. Maria da Piedade, causando diferentes atitudes e comportamentos. A sua visita instaura o conflito necessário à narrativa.

O espaço e o tempo da história — uma vila de província e um tempo contemporâneo — são facilmente reconhecíveis pelo leitor, porque se apresentam idênticos à sua própria vivência.

No moinho é um conto que prescreve que o leitor imagine aquela história como verdadeira. Trata-se de uma forma específica de desencadear o imaginar muito utilizada pela ficção realista.

Personagens principais

D. Maria da Piedade - protagonista. Caracterizada como "uma loura, de perfil fino, a pele ebúrnea, e os olhos escuros de um tom de violeta, a que as pestanas longas escureciam mais o brilho sombrio e doce", surge no início do conto com a imagem angélica de mulher sacrificada e dedicada às doenças do marido e dos filhos, vivendo isolada do mundo e da vida social. A chegada de Adrião, primo do marido, modifica esta existência: uma fugaz atração sentimental por essa figura viril e atrativa induz Maria da Piedade num "romantismo mórbido" que a leva ao adultério.

Adrião: primo de João Coutinho, é escritor famoso e homem público. Adrião projeta, sobre a vila em que vive D. Maria da Piedade a sua fama de "herói de Lisboa, amado das fidalgas, impetuoso e brilhante, destinado a uma alta situação no Estado". Também por isso, a sua figura viril e sedutora atrai Maria da Piedade a uma fugaz aventura, resultado de um comportamento masculino de índole donjuanesca.

Enredo

A história do conto No Moinho é composta pela narração de parte da vida de D. Maria da Piedade, uma senhora modelo, loira e linda, casada com João Coutinho — rico mas entrevado —, que toma conta da sua casa, trata das doenças do marido e dos filhos, agindo como uma zelosa enfermeira. A chegada de Adrião, primo do marido, que embora seja romancista é caracterizado como um homem robusto, vem alterar a rotina deste modo de viver. Depois de o ajudar a vender uma propriedade, D. Maria da Piedade vai com ele visitar um moinho velho; e Adrião, cortejando a prima, fala-lhe de uma vida a dois, ali, no moinho, e dá-lhe um beijo. Adrião parte logo para Lisboa, mas esta experiência leva D. Maria da Piedade a imaginar um outro modo de vida. Começa a ler romances e a não cuidar dos seus doentes. Envolvida num "romanticismo mórbido", acaba por cometer adultério com o sebento praticante da botica.

 

 
publicado por Xipsi às 20:29

O poema que mais gosto

24.03.09

A vida

A vida é uma incógnita moldável…
Uma incógnita nos acontecimentos,
Uma incógnita ate nos nossos próprios pensamentos!
Na vida nada podemos conceber,
Devemos apenas viver…
E como é viver bem?
Viver bem é sermos nos próprios,
Seguindo sempre os nossos horizontes…
Apesar dos cruzamentos,
Que nos possam surgir em certos momentos!
Cruzamentos provenientes de maldades do inimigo,
Cruzamentos que tentam tirar-nos o sentido…
Os nossos passos devem ser dados sem olhar para a multidão,
O nosso ser pode ser a melhor sensação.
E um dia o sol brilhará,
Da maneira menos esperada,
Da maneira jamais idealizada…
Não deixes a maldade entrar no teu mundo,
Vive o bem em qualquer segundo
E acordarás um dia feliz  por tudo aquilo que deixaste na mente de qualquer ser,
Acordarás e perceberás o que é afinal viver!
publicado por Xipsi às 20:25

Personagens do " Auto da barca do inferno"(continuação)

21.03.09

 

Cena Do Judeu (Semah Fará)
 
Símbolos Cénicos:
-Bode: representa a sua religião
 
Tipo:
-Judeu.
 
Logo que chega ao cais o Judeu dirige-se para a barca do Inferno porque:
-Sabe que não será aceite na barca do Anjo, já que em vida nunca foi aceite nos lugares dos Cristãos.
-Os Judeus eram muito mal vistos na época e nem poderia admitir a hipótese de entrar na barca do Anjo.
 
Para entrar na Barca do Inferno ele usa:
-O dinheiro.
 
Ele usa o dinheiro porque:
-Era uma forma de mostrar que os Judeus tinham grande poder económico, estavam ligados ao dinheiro.
 
O Judeu não quer deixar o bode em terra porque:
-Quer ser reconhecido como Judeu.
-Não recusa a sua religião.
 
O Parvo acusa-o de:
-Roubar a cabra.
-Ter cometido várias ofensas à religião cristã a profanar a igreja, comer carne no dia de jejum...
-Ser Judeu.
 
Em termos de contexto histórico essa acusação:
-Revela que os Cristãos odiavam os Judeus.
-Acusavam-nos de enriquecer à custa de roubos.
-Acusavam-nos de ofender a religião católica, cometendo diversas profanações.
 
Desenlace:
-Fica no cais (porque ninguém o quer).
 
 
Cena Do Corregedor e do Procurador
 
Símbolos Cénicos:
-Corregedor: vara e processos.
-Procurador: livros jurídicos.
 
Pertenciam:
-Corregedor: Juiz.
-Procurador: Funcionário da Coroa.
 
O Diabo cumprimenta o Corregedor com “Oh amador de perdiz” porque:
-Era uma pessoa corrupta.
-A perdiz era um símbolo de corrupção.
 
A forma de como o Corregedor inicia diálogo com o Diabo aproxima-se da forma como o Fidalgo também o fez.
 
O Corregedor usa muito o Latim porque:
-É uma língua muito usada em direito.
 
O Diabo responde-lhe em Latim Macarrónico porque:
-Era para ridicularizar a linguagem utilizada na justiça.
-Para mostrar que essa linguagem não servia de nada.
-Poderiam saber falar bem Latim mas não sabiam aplicar as leis.
 
 
O Corregedor pergunta “Há’ qui meirinho do mar?” porque:
-Ele estava habituado a ser servido.
 
O Corregedor pergunta se o poder do barqueiro infernal é maior do que o do próprio Rei porque:
-Ele na Terra tinha um grande poder.
-Não admitia que mandassem nele.
 
Acusações do Procurador:
-Não tem tempo de se confessar.
 
O Diabo acusa o Corregedor de:
-Ter aceitado subornos (ser corrupto).
-Ter aceitado subornos até de Judeus (muito mal vistos naquele tempo).
-Confessou-se mas mentiu.
 
Defesas:
-Era a sua mulher que aceitava os subornos.
 
Acho que o argumento usado de defesa do réu foi:
-Errado.
-O Diabo saberia de todo.
-Ele não deveria estar a mentir.
-Não devia estar a acusar a sua mulher porque depois também ela seria condenada.
 
“Irês ao lago dos danados / e verês os escrivães / coma estão tão prosperados” quer dizer que:
-O Corregedor, quando for para o Inferno, vai encontrar os seus colegas (Homens ligados à justiça).
 
Gil Vicente julgou em simultâneo o Corregedor e o Procurador porque:
-Ambos passavam informação.
-Ambos faziam parte da justiça.
(Havia cumplicidade entre a justiça e os assuntos do Rei, ambos eram corruptos).
 
A confissão para eles:
-Não era importante: só se confessavam em situações de risco e não diziam a verdade.
 
Quando o Corregedor e o Procurador se aproximam do Anjo, ele:
-Reage mal.
-Fica irritado.
-Manda-lhes uma praga( atitude nada normal do Anjo).
 
O Parvo acusa-os de:
-Roubar coelhos e perdizes.
-Profanar nos companheiros (levavam a religião de uma forma superficial).
 
Desenlace:
-Inferno.
 
No Inferno o Corregedor dialoga com Brízida Vaz porque:
-Já se conheceriam da vida terrestre.
 
 
Cena Dos Quatro Cavaleiros
 
Símbolos Cénicos:
-Hábito da ordem de Cristo.
-Espadas.
 
Pertenciam:
-Aos cruzados.
 
Defesas:
-Dizem que morreram a lutar contra os mouros em nome de Cristo
 
Quando chegam ao cais chegam a cantar. Essa cantiga mostra:
-Aos mortais que esta vida é uma passagem e que terão de passar sempre naquele cais onde serão julgados.
 
Os destinatários desta mensagem são:
-Os mortais.
-Os Homens pecadores.
 
Nessa cantiga está contida a moralidade da peça porque:
-Fala da transitoriedade da vida.
-Fala da inabitabilidade do destino final.
-Fala do destino final que está de acordo com aquilo que foi feito na vida terrestre.
 
Os cavaleiros não foram acusados pelo Diabo porque:
-Merecem entrar na barca do Anjo.
-Morreram a lutar pela fé cristã, contra os infiéis, o que os livrou de todos os pecados.
-Esta cena revela a mentalidade medieval da apologia do espírito da cruzada.
publicado por Xipsi às 13:12

Personagens do " Auto da barca do inferno"

07.03.09

 

Cena Do Fidalgo (Don Arnrique)
 
Adereços q o caracterizam:
-Pajem: desprezo pelos mais pobres.
-Manto: vaidade.
-Cadeira: julgava-se importante e poderoso.
 
Argumentos de Defesa:
-Barca do Inferno é desagradável.
-Tem alguém na Terra a rezar por ele.
-É “fidalgo de solar” e por isso deve entrar na barca do Céu.
-É nobre e importante
 
Pertence:
-À nobreza
 
Acusações:
-Ter levado uma vida de prazeres, sem se importar com ninguém.
-Ter sido tirano para com o povo.
-Ser muito vaidoso.
-Desprezava o povo.
 
Referência ao pai de Don Anrique porque:
-É uma denuncia social, porque também o pai do Fidalgo já tinha entrado na Barca do Inferno, isto é, toda a classe nobre tinha os mesmos pecados.
 
A movimentação dele em cena:
-1º Foi á barca do Diabo que lhe explica para onde vai a barca e falando sempre em tom de ironia.
-Depois foi à barca do Paraíso para tentar a sua sorte, mas o Anjo acusa-o de tirania e diz-lhe de que maneira nenhuma pode lá entrar.
-O Fidalgo volta para a Barca do Inferno e o Diabo explica-lhe todos os seus pecados, fazendo com que ele fique muito triste e arrependido.
 
Momentos psicológicos da personagem:
-Ao principio o Fidalgo está sereno e seguro que irá para o Paraíso.
-Dirige-se à barca do Anjo, arrogante, e fica irritado porque ele não lhe responde e mostra-se arrependido e desanimado por ter confiado no seu “Estado”.
-No fim dirige-se ao Diabo, mais humilde, pedindo-lhe que o deixe regressar à Terra para ir ter com a amante.
 
Crítica de Gil Vicente nesta cena:
-Os nobres viviam como queriam (vida de luxúria)
-Pensavam que bastava rezar e ir à missa para ir para o Céu.
 
Características dadas às mulheres desse tempo:
-Mentirosas
-Infiéis
-Falsas
-Fingidas
-Hipócritas
 
Caracterização do Fidalgo:
-Nobre (fidalgo de solar).
-Vaidoso.
-Presunçoso do seu estado social.
-O seu longo manto e o criado que carrega a cadeira representam bem a sua vaidade e ostentação.
-A forma como reage perante o Diabo e o Anjo revelam a sua arrogância ( de quem está habituado a mandar e a ter tudo).
-Apresenta-se como alguém importante.
-Despreza a barca do Diabo chamando-lhe “cortiço”.
-A sua conversa com o Diabo revela-nos que além da sua mulher tinha uma amante, mas que ambas o enganavam pois a mulher quando ele morreu chorava mas era de felicidade e a amante antes de ele morrer já estava com outro.
-O Fidalgo é, pois, uma personagem tipo que representa a nobreza, os seus vícios, tirania, vaidade, arrogância e presunção.
 
Desenlace:
-Inferno
 
 
Cena Do Onzeneiro (Usuário)
 
Símbolos cénicos:
-Bolsão: representa o dinheiro.
 
Esta personagem pertence:
-À burguesia
 
“Oh! Que má-hora venhais, / onzeneiro, meu parente!”:
-O Diabo revela, com este tratamento, que Onzeneiro tem semelhanças com  ele, é como se fossem membros da mesma família.
-O Diabo sempre o ajudou a fazer o mal, a enganar os outros.
-Agora os papeis invertem-se: é a vez de o Onzeneiro ajudar o Diabo.
 
Defesas:
-Ter morrido sem esperar.
-Não ter tido tempo de “apanhar” + dinheiro (esta queixa mostra que para esta personagem o dinheiro era importante).
-Jura ter o bolsão vazio.
-Precisa de ir à Terra para ir buscar + dinheiro (para comprar o Paraíso).
 
Acusações:
-Anjo: acusa-o de levar um bolsão cheio de dinheiro e o coração cheio de pecados, cheio de amor pelo dinheiro.
-Ser avarento.
 
O Onzeneiro é condenado pelo Anjo ao Inferno porque:
-Leva o coração cheio de pecados, cheio de amor pelo dinheiro e o bolsão representa esse dinheiro.
 
O Onzeneiro interpreta a recusa do Anjo como:
-Que por não ter dinheiro não pode entrar no Paraíso.
-Ele pensa que com o dinheiro pode comprar tudo e resolver tudo.     
 
A vida do Onzeneiro:
-Avareza (só pensa em dinheiro).
 
Gil Vicente dá esta pobre caracterização à vida da personagem porque:
-Todas as personagens são personagens tipo.
-Não podem representar características pessoais.
 
Desenlace:
-Inferno
 
 
Cena Do Parvo (Joanne)
 
No passado o Parvo representava:
-Uma pessoa pobre de espírito (pertencia ao povo).
 
Não vai para o inferno porque:
-Não agiu com maldade.
-Não tem pecados.  
 
Símbolos cénicos:
-Não trás nenhum símbolos cénicos porque os símbolos cénicos estão relacionados com a vaidade terrestre e os pecados cometidos.
-O Parvo não tem nenhum tipo de pecados.
 
Defesas:
-Anjo: tudo o que fez foi sem maldade.
 
O Parvo não usa nenhum tipo de argumento para convencer o Anjo a deixá-lo entrar no Paraíso porque:
-Não teve tempo de dizer nada, a sua entrada naquela barca foi autorizada de imediato.
-O Anjo deixa-o entrar porque tudo o que fez foi sem maldade.
 
“Quem és tu? / Samica alguém”:
-Revela a sua simplicidade
-A resposta está relacionada com o seu destino que é o Paraíso.
 
Caracterização desta personagem:
- Simplicidade, ingenuidade, graça, auto-caracteriza-se ao Diabo como “tolo”.
-Queixa-se de ter morrido.
-As suas atitudes ao longo da cena são descontraídas, o que irrita o Diabo que o quer na sua barca.
-O Diabo é insultado por ele.
-Esses insultos revelam a sua pobreza de espírito.
-Apresenta-se ao Anjo como “Samica alguém” e este diz-lhe que entrará na sua barca, porque todo o que fez foi sem maldade.
  
Desfecho:
-Fica no caís e entra com os quatro Cavaleiros.
 
 
Cena Do Sapateiro (Joanatão)
 
Símbolos Cénicos:
-Avental: simboliza a profissão.
-Carregado se formas de sapatos: simbolizam a sua profissão e vem carregado pelos seus pecados.
 
Esta personagem representa:
-O povo.
 
Acusações:
-Roubava.
-Enganava.
-Religião mal praticada.
 
Defesas: (práticas religiosas):
-Rezava e ia à missa (o fidalgo usou a mesma defesa).
-Fazia ofertas à igreja.
-Confessava-se.
-Fez todas as práticas religiosas.
 
Crítica feita por Gil Vicente a todas as rezas:
-Forma superficiais de como os católicos praticavam a religião.
-Julgavam que as rezas, missas, comunhões, tinham mais valor que praticar o bem.
 
Desfecho:
-Inferno.
 
 Cena Do Frade (Frei Babriel)
 
Símbolos cénicos:

 
-Hábito de frade.
-Escudo.
-Capacete.
-Espada.
 
             -Moça( )
Equipamento de esgrima

 
Críticas com esses símbolos:
-Desajuste entre a verdade religiosa e a verdade que ele levava ( verdade mundana).
-Os símbolos representavam a verdade de prazeres que ele levava, o que o afastava do seu dever à crítica religiosa.
 
Pertencia:
-Ao clero (mundano).
 
Argumentos de Acusação:
-Era mundano.
-Não respeitou os votos de castidade e de pobreza.
 
O Frade não nega as acusações feitas, pois:
-Pensa que o facto de ser Frade e o seu hábito o vão salvar dos seus pecados.
 
Argumentos de Defesa:
-Ser Frade.
-Rezou muito.
 
Apresenta-se com cortesão:
-O que revela que ele frequentava a corte e os seus prazeres, era um frade mundano.
 
“Gentil padre mundanal”:
-Contradição: encontra-se na palavra “mundanal” e “gentil”.
-O Frade deveria ser uma pessoa dedicada à alma, ao espírito, mas é mundanal, vive os prazeres do mundo, por isso existe aqui uma contradição.
 
Diabo “(...) E não os punham lá grosa / no vosso convento santo?”
Frade – “E eles faziam outro tanto!” revela que:
-Havia uma quebra de votos de castidade (hábito comum entre eles).
-Esta afirmação alarga a crítica a toda a classe social, pois o Frade é uma personagem tipo, representando toda uma classe social.
 
Uso do facto de ser Frade naquele tempo:
-Pretende mostrar que o clero se mostrava superior.
-poderia fazer o que quisesse sem ser condenado.
-Mal estar na sociedade por serem cada vez mais frequentes os Frades ricos e poderosos.
 
O Anjo recusa-se a falar com o Frade porque:
-Tem vergonha do seu réu.
-Não tinha coragem de falar com alguém do clero com tantos pecados (repugnante).
 
Frade aceita a sentença porque:
-Viu que o Anjo não quis falar com ele
-Porque não cumpriu as regras que deveria ter cumprido.
-Se o Anjo se recusa a falar com ele é porque todos os seus pecados foram graves.
 
Caracterização do Frade:
-Auto-caracteriza-se “cortesão” (frequentava a corte) o que entra em contradição com a sua classe.
-Sabe dançar tordilhão e esgrimir (qualidades típicas de um nobre).
-É alegre pois chega ao cais a cantar e a dançar.
-Tal como os outros Frades não cumpriu o voto de castidade nem de pobreza, com se comprovava com as suas palavras.
-Está convencido que por ser membro da Igreja tem entrada directa no Paraíso.
-Personagem tipo através da qual se critica o clero
 
 
Cena Da Alcoviteira (Brízida Vaz)
 
Símbolos Cénicos:
-Seiscentos virgos postiços.
-Três arcas de feitiços.
-Três almários de mentir.
-Jóias de vestir.
-Guarda-roupa.
-Casa movediça.
-Estrado de cortiça.
-Dous coxins.
(todos estes símbolos representavam a sua actividade de alcoviteira ligada à prostituição).
 
Tipo:
-Alcoviteira.
 
Quando o Diabo sabe que é Brízida Vaz que está no cais ele fica:
-Contente: sabe que ela tem muitos pecados e por isso é mais uma passageira para a sua barca.
-Surpreso / admirado: não esperava por ela tão cedo.
-Surpreendido.
 
Com o campo semântico da mentira ela revela que:
-É hipócrita.
-Tenta fazer-se de vítima perante o Diabo para convencê-lo do que lhe interessa.
-Hábil e mentirosa.
 
Quando o Diabo a convida a entrar ela:
-Diz, com alguma arrogância, que não entra sem o Fidalgo.
 
Perante o Anjo, Brízida Vaz usa outras tácticas:
-A sedução: muda o seu tom de voz, tentando seduzir o Anjo.
-Usa vocabulário de cariz religioso: para o Anjo ter pena dela. E consequentemente:
 
         -Ele ter pena dela.
         -A deixar entrar na sua Barca.
         -A achar uma boa pessoa.
 
Argumentos de Acusação:
-Viveu uma má vida (prostituição).
 
Argumentos de defesa:
-Diz que já sofreu muito.
-Que arranjou muitas “meninas” para elementos do clero.
 
Caracterização de Brízida Vaz:
-Chegando ao cais na barca do Inferno, recusa-se a entrar sem o Fidalgo, provavelmente eram conhecidos.
-Diz que não é a barca do Diabo que procura.
-Leva vários elementos cénicos relacionados com a sua profissão de alcoviteira.
-Está sempre confiante de que vai entrar na barca do Anjo.
-Defende-se dizendo que sofreu muito, como ninguém, que arranjou muitas “meninas” para elementos do clero e que está orgulhosa por ter arranjado “dono” para todas as suas “meninas”.
-Quando vai à barca do Anjo muda completamente a sua atitude, usando mais o vocabulário de cariz religioso e tentando seduzir o Anjo e fazer-se de boa pessoa.
 
Desenlace:
-Inferno.
publicado por Xipsi às 14:51

O livro da minha vida

05.03.09

 Na minha opinião o melhor livro que eu já li foi " Uma aventura em Macau" escrito por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

 
Excerto da obra:
 
«Noite alta desembarcaram numa ilhota selvagem das muitas que polvilham a costa sul da China. Já estavam todos acordados mas atordoadíssimos. Limitaram-se a trocar olhares fugidios porque não servia de nada falarem. O cão devia conhecer bem o local. Embrenhou-se na vegetação, correu directo para uma clareira e desatou a farejar troncos e rochas com manifesta alegria. Empurrados pelo cano das espingardas, seguiram também para o mesmo local. Sentaram-se na areia, exaustos. Embora estivesse escuro, aperceberam-se de quem uma reentrância de rocha servia de abrigo aos caixotes. Havia ali outras embalagens, decerto cheias de objectos roubados. Enquanto os homens arrumavam a mercadoria, o cão girava em círculos à volta deles, sem ladrar mas pronto a saltar-lhes em cima se fosse preciso. João abraçara os próprios joelhos e mantinha-se com a cabeça de lado. De vez em quando soltava um assobio ténue e o cão imobilizava-se, arqueando o dorso.
      — Cala-te, João! Se o pões mais nervoso do que ele já está ainda comemos todos pela medida grande.
      Fez de conta que não ouviu e continuou com a sua melodia a intervalos regulares. O cão chegou-se rosnando. Em vez de mostrar medo, João estendeu a mão e pousou-a no areal como quem diz "Morde se quiseres". A atitude de abandono pareceu perturbar o animal. Farejou-os. Os outros seguiam a cena de olhos arregalados. Qual seria a ideia? As gémeas, muito juntas, pareciam uma pessoa com duas caras.
      "Vai dominá-lo", repetiam em pensamentos. "Vai dominá-lo"
      — Laiaf...
      — O que é que o João disse?
      — Não sei. Talvez tenha ouvido o nome do cão em chinês e esteja a tentar chamá-lo.
      Calaram-se, ansiosos por entender a conversa que ele estabelecera com a fera.
      — Laiaf... Laiaf...
      E de novo a musiquinha leve, breve, sugestiva. Conhecendo-lhe os dons, não se admiraram que surtisse efeito. O bicho deixou de rosnar e ficou estático como se estivesse hipnotizado. Fixava-se no estranho rapaz de olhos redondos que emitia sons macios, e sem perceber porquê perdeu a vontade de morrer. Hesitante, estendeu uma pata.
      — Laiaf... pronunciou o João docemente. — Laiaf... Anda cá!
      Aquelas palavras desconhecidas atraíam-no. Estendeu a outra pata e ficou muito perto, de cabeça erguida e língua de fora, mas ainda em posição de alerta.»
(in Uma Aventura em Macau, pp. 174-175)
 
publicado por Xipsi às 16:11

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  • bom demais mas a alcoviteira era uma rapariga
  • Falta o enforcado, assim não tem muito jeito.
  • Eu queria saber a caracterização do anjo, pois na ...
  • Olha muito bom cabrões
  • A Brízida Vaz tem como destino final a barca do di...
  • Obrigado vou ter teste daqui a 10 horas espero qe ...
  • falta o enforcado
  • Excelente síntese a melhor que encontrei na net......
  • A historia nem e assim!!!
  • Senti falta do enforcado :c

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