Autor:

-Ana Maria Magalhães.

-Isabel Alçada.

 

 Apresentação:
 

Quem já foi a Espanha vai de certeza recordar a viagem enquanto lê o livro. Quem nunca viajou, terá a sensação de viajar agora com um grupo superaventureiro. E todos se vão divertir muito com esta história da colecção «Uma Aventura». Para abrir o apetite ficam aqui duas perguntas: A Conchita será culpada ou inocente? E haverá hipótese de fugir de uma despensa fechada a sete chaves, sem janela, que fica na cave de um hotel fantasma? Uma Aventura em Espanha encaixa mesmo bem na bagagem de férias.

 

 

 Excerto do livro:
 

    «— Ele pode acordar a qualquer momento.
      — Pois. Convinha amarrá-lo.
      Cordas não faltavam. O problema era serem tão grossas.
      — Vamos enrolá-lo como se fosse uma salsicha. Fica só com a cabeça de fora e portanto mesmo que acorde não se consegue soltar.
      — E se grita?
      — Enfiem-lhe uma mordaça.
      Apesar de estarem nervosíssimos, deitaram mãos à obra num frenesim.
      — Esperem! — pediu o Pedro. — Deixem-me rebuscar-lhe os bolsos a ver se tem armas.
      Do primeiro bolso saíram apenas charutos, uma caixa de fósforos e um molho de chaves. Do segundo, um lenço e vários papéis muito dobradinhos. Pedro atirou com tudo ao chão.
      — Bolas! Será que este mafioso não usa armas?
      — Vê dentro do casaco — sugeriu o João.
      — E despacha-te, antes que o tipo acorde!
      Vários pares de mãos remexeram os bolsos interiores, e foi a Luísa que retirou um pequeno revólver cinzento de feitio supermoderno. A visão daquele objecto tão desejado fez palpitar todos os corações.
      — Dá cá — ordenou o Pedro — Acho que devo ser eu a levar isso.
      — Para onde?
      — Lá para baixo. Vamos efectuar um ataque surpresa ao nosso amigo Narciso e a sua quadrilha. Previno já que, se for necessário, disparo mesmo.
      — Cá por mim, tudo bem. Mas lembra-te de que o Chico está prisioneiro e eles também têm armas.
      — Mais armas do que nós.
      — Há ali outra que podemos utilizar.
      — Qual?
      — O extintor de incêndios. Não é uma arma de fogo mas deita belos esguinchos de espuma para a cara de qualquer um...
      Partiram pois ao assalto das cabinas munidos de um revólver, de um extintor de incêndios e de algumas ferramentas que as gémeas recolheram pelo caminho. Atrás de si deixavam um inimigo tão envolvido em cordas que lembrava as múmias do Egipto. Mas infelizmente havia mais três a derrotar.
      Mal se aproximaram da escadinha, sentiram o nariz invadido por um delicioso cheiro a torradas que lhes fez crescer água na boca.
      "Foram tomar o pequeno almoço", pensaram todos a morrer de inveja. "Estão na cozinha".
      Pé ante pé, desceram os degraus, coseram-se com a parede e seguiram em frente guiados pelo olfacto. A porta da cozinha estava apenas encostada e tinha a chave do lado de fora. Pedro, que ia à frente, suspendeu a marcha e empunhou o revólver. Tencionava efectuar um assalto relâmpago, apontar a arma à cabeça do que estivesse mais próximo e exigir que soltassem o Chico. Mas mudou de ideias...»

(in Uma Aventura em Espanha, pp. 174-176)

 

publicado por Xipsi às 16:14