Resumo/apresentação:

 

    As gémeas Teresa e Luísa são muito espertas, muito dinâmicas, andam sempre de nariz no ar e prestam atenção a tudo. Um dia, quando passeiam o seu pequeno caniche que dá pelo nome de Caracol, apercebem-se de movimentos altamente suspeitos numa velha garagem e ficam logo em ânsias para descobrir que mistérios se escondem atrás das paredes carcomidas. Mas para investigar precisam de ajuda. Resolvem então fazer contactos na escola e conseguem juntar-se ao Chico, que é forte e corajoso, ao Pedro, que é inteligentíssimo e ao João que, além de ser ágil é atrevido tem um canzarrão chamado Faial.
Organizaram-se para enfrentar o perigo e cada um deu o seu melhor.
Tornaram-se inseparáveis e em grupo viveram a mais inesperada das aventuras.

 

 

 Excerto do livro:
  

      «— Pronto — disse o Pedro, esfregando as mãos. — O João já está lá dentro!
    Estava uma noite muito escura e fria. Os candeeiros da rua projectavam grandes triângulos de luz mortiça. Tinha-se levantado uma neblina que dava a tudo um ar de mistério.
    — Vamos... tira daí o caixote e atira-o para qualquer lado, não vá chamar a atenção.
    A Teresa tremia dos pés à cabeça e cerrava a boca com força para os dentes não baterem.
    — Estás com medo?
    — Não, estou com frio... vamos!
    — Vê se vem alguém...
    Avançaram até à porta da frente, olhando em volta. O silêncio era completo.
    — Parece boa altura...
    — Assobia, Chico. Uma vez.
    Chico soltou um assobio breve e aguardaram com o coração a bater muito forte. Não aconteceu nada.
    — Se ele não consegue abrir a porta, estamos tramados...
    — Consegue... vamos, Chico, assobia outra vez.
    Chico voltou a assobiar. Lá de dentro respondeu-lhe outro assobio, abafado pela porta que começou a abrir-se lentamente.
    Os rapazes precipitaram-se logo para dentro, esgueirando-se por uma frincha estreita.
    — Bolas, que é pesada! — João, muito vermelho do esforço, empurrava com toda a força, agora ajudado pelo Chico.
    — Basta! Já chega para entrarem elas e o cão.
    — Arf — fez o Faial, satisfeito por estar ali com os seus amigos.
Teresa agarrou o braço da irmã com força:
    — Achas que fazemos bem?...
    — Agora é tarde para pensar nisso. Vão ser só eles a viver esta aventura e nós, que começamos com tudo, ficamos de fora... nem penses!
    Luísa arrastou a irmã para dentro, atrás do Faial.
    Quando se viram lá dentro, às escuras, sentiram um calafrio. Que iria acontecer?
    — Tenho a boca seca!
    — E eu uma bola no estômago...
    — Deixem-se disso. O que vocês têm é medo.»

(in Uma Aventura na Cidade, pp. 140-141)

 

publicado por Xipsi às 14:49