Cena Do Judeu (Semah Fará)
 
Símbolos Cénicos:
-Bode: representa a sua religião
 
Tipo:
-Judeu.
 
Logo que chega ao cais o Judeu dirige-se para a barca do Inferno porque:
-Sabe que não será aceite na barca do Anjo, já que em vida nunca foi aceite nos lugares dos Cristãos.
-Os Judeus eram muito mal vistos na época e nem poderia admitir a hipótese de entrar na barca do Anjo.
 
Para entrar na Barca do Inferno ele usa:
-O dinheiro.
 
Ele usa o dinheiro porque:
-Era uma forma de mostrar que os Judeus tinham grande poder económico, estavam ligados ao dinheiro.
 
O Judeu não quer deixar o bode em terra porque:
-Quer ser reconhecido como Judeu.
-Não recusa a sua religião.
 
O Parvo acusa-o de:
-Roubar a cabra.
-Ter cometido várias ofensas à religião cristã a profanar a igreja, comer carne no dia de jejum...
-Ser Judeu.
 
Em termos de contexto histórico essa acusação:
-Revela que os Cristãos odiavam os Judeus.
-Acusavam-nos de enriquecer à custa de roubos.
-Acusavam-nos de ofender a religião católica, cometendo diversas profanações.
 
Desenlace:
-Fica no cais (porque ninguém o quer).
 
 
Cena Do Corregedor e do Procurador
 
Símbolos Cénicos:
-Corregedor: vara e processos.
-Procurador: livros jurídicos.
 
Pertenciam:
-Corregedor: Juiz.
-Procurador: Funcionário da Coroa.
 
O Diabo cumprimenta o Corregedor com “Oh amador de perdiz” porque:
-Era uma pessoa corrupta.
-A perdiz era um símbolo de corrupção.
 
A forma de como o Corregedor inicia diálogo com o Diabo aproxima-se da forma como o Fidalgo também o fez.
 
O Corregedor usa muito o Latim porque:
-É uma língua muito usada em direito.
 
O Diabo responde-lhe em Latim Macarrónico porque:
-Era para ridicularizar a linguagem utilizada na justiça.
-Para mostrar que essa linguagem não servia de nada.
-Poderiam saber falar bem Latim mas não sabiam aplicar as leis.
 
 
O Corregedor pergunta “Há’ qui meirinho do mar?” porque:
-Ele estava habituado a ser servido.
 
O Corregedor pergunta se o poder do barqueiro infernal é maior do que o do próprio Rei porque:
-Ele na Terra tinha um grande poder.
-Não admitia que mandassem nele.
 
Acusações do Procurador:
-Não tem tempo de se confessar.
 
O Diabo acusa o Corregedor de:
-Ter aceitado subornos (ser corrupto).
-Ter aceitado subornos até de Judeus (muito mal vistos naquele tempo).
-Confessou-se mas mentiu.
 
Defesas:
-Era a sua mulher que aceitava os subornos.
 
Acho que o argumento usado de defesa do réu foi:
-Errado.
-O Diabo saberia de todo.
-Ele não deveria estar a mentir.
-Não devia estar a acusar a sua mulher porque depois também ela seria condenada.
 
“Irês ao lago dos danados / e verês os escrivães / coma estão tão prosperados” quer dizer que:
-O Corregedor, quando for para o Inferno, vai encontrar os seus colegas (Homens ligados à justiça).
 
Gil Vicente julgou em simultâneo o Corregedor e o Procurador porque:
-Ambos passavam informação.
-Ambos faziam parte da justiça.
(Havia cumplicidade entre a justiça e os assuntos do Rei, ambos eram corruptos).
 
A confissão para eles:
-Não era importante: só se confessavam em situações de risco e não diziam a verdade.
 
Quando o Corregedor e o Procurador se aproximam do Anjo, ele:
-Reage mal.
-Fica irritado.
-Manda-lhes uma praga( atitude nada normal do Anjo).
 
O Parvo acusa-os de:
-Roubar coelhos e perdizes.
-Profanar nos companheiros (levavam a religião de uma forma superficial).
 
Desenlace:
-Inferno.
 
No Inferno o Corregedor dialoga com Brízida Vaz porque:
-Já se conheceriam da vida terrestre.
 
 
Cena Dos Quatro Cavaleiros
 
Símbolos Cénicos:
-Hábito da ordem de Cristo.
-Espadas.
 
Pertenciam:
-Aos cruzados.
 
Defesas:
-Dizem que morreram a lutar contra os mouros em nome de Cristo
 
Quando chegam ao cais chegam a cantar. Essa cantiga mostra:
-Aos mortais que esta vida é uma passagem e que terão de passar sempre naquele cais onde serão julgados.
 
Os destinatários desta mensagem são:
-Os mortais.
-Os Homens pecadores.
 
Nessa cantiga está contida a moralidade da peça porque:
-Fala da transitoriedade da vida.
-Fala da inabitabilidade do destino final.
-Fala do destino final que está de acordo com aquilo que foi feito na vida terrestre.
 
Os cavaleiros não foram acusados pelo Diabo porque:
-Merecem entrar na barca do Anjo.
-Morreram a lutar pela fé cristã, contra os infiéis, o que os livrou de todos os pecados.
-Esta cena revela a mentalidade medieval da apologia do espírito da cruzada.
publicado por Xipsi às 13:12